Etanol de Milho Supera 25% da Produção Nacional e Consolida Expansão

O etanol produzido a partir do milho consolidou-se como um dos segmentos de maior crescimento no setor de biocombustíveis no Brasil, respondendo atualmente por mais de 25% da oferta nacional. Este avanço foi inicialmente impulsionado pelo baixo preço do grão e por gargalos logísticos na exportação, transformando-o em uma alternativa estratégica para o agronegócio brasileiro.

Origem e Estímulos da Expansão

A expansão da produção de etanol de milho começou há aproximadamente doze anos, predominantemente no 'core belt' brasileiro do milho, que inclui estados como Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul. Naquela época, o milho era negociado entre R$ 16 a R$ 20 por saca, valores até 45% abaixo da referência internacional, o que prejudicava a renda dos produtores rurais. Esta situação gerou uma oportunidade para agregar valor ao grão dentro da própria região, atraindo investimentos, inclusive de grupos estrangeiros, para transformar o excedente em biocombustível. Inicialmente, a participação do etanol de milho na produção total de etanol do país era inferior a 2%.

Crescimento Acelerado e Impacto Econômico

Atualmente, o Brasil conta com cerca de 30 plantas de etanol de milho, das quais 11 são unidades flex, capazes de processar tanto milho quanto cana-de-açúcar. A capacidade instalada deve alcançar 12,6 bilhões de litros ao final da safra 2025/26, com uma produção estimada em 9,6 bilhões de litros. Para a safra 2026/27, a expectativa é que o volume produzido se aproxime de 12,8 bilhões de litros. Este crescimento tem impulsionado o preço do milho no mercado interno; em regiões produtoras como Sorriso, no norte de Mato Grosso, o milho é negociado a cerca de R$ 45 a R$ 46 por saca, mais que o dobro dos valores iniciais. Quando transformado em etanol e coprodutos, o valor do milho equivale a R$ 98 por saca.

Alteração na Dinâmica do Mercado de Biocombustíveis

A expansão do etanol de milho está reconfigurando o mercado brasileiro de biocombustíveis. Historicamente, o país enfrentava oscilações nos preços do etanol durante a entressafra da cana-de-açúcar. Com as usinas de milho operando durante todo o ano, a oferta tornou-se mais regular, resultando na redução da volatilidade dos preços. Essa estabilidade também afastou preocupações recorrentes de falta de biocombustível no mercado interno, que em algumas ocasiões levaram o governo a considerar a redução da mistura obrigatória de etanol na gasolina.

Novos Investimentos e Projeções Futuras

As margens positivas da indústria continuam a atrair novos projetos. O setor estima 17 plantas de etanol de milho em construção, com potencial para adicionar cerca de 6 bilhões de litros de capacidade produtiva nos próximos dois a três anos. Além disso, há pelo menos 20 novos projetos anunciados, que ainda estão em fase de avaliação ou planejamento. Se todos esses empreendimentos forem concretizados, a participação do etanol de milho na produção total brasileira poderá se aproximar de metade da oferta nacional nas próximas décadas, reduzindo a dependência exclusiva da cana-de-açúcar.

Desafios Logísticos e de Custos

Apesar do crescimento robusto, o setor enfrenta desafios importantes. Um deles é a logística, visto que o principal polo consumidor de combustíveis está na região Sudeste, enquanto a maior parte das usinas de milho se concentra no Centro-Oeste, demandando transporte por longas distâncias. Outro ponto de atenção é o custo de produção, especialmente o aumento do preço da biomassa utilizada no processo industrial, que quase triplicou em algumas regiões nos últimos anos. A destinação e comercialização do DDG e DDGS, coprodutos da produção de etanol de milho utilizados na alimentação animal, também se tornam um tema relevante com o aumento significativo dos volumes produzidos.

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