A delegada Maria Tereza, titular da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (DEAM) de Camaçari, enfatizou que a violência contra a mulher manifesta-se antes da agressão física, sendo um problema social enraizado em comportamentos e discursos naturalizados. Em entrevista ao portal Bahia no Ar, em alusão ao Dia Internacional da Mulher, ela destacou a educação como ferramenta primordial para transformar a sociedade e combater esse tipo de violência.
Maria Tereza explicou que a violência é construída por discursos naturalizados, tolerância a controle excessivo, machismo estrutural e a equivocada percepção de posse sobre a vida e o corpo feminino. Para a delegada, o enfrentamento eficaz demanda prevenção, com a educação assumindo um papel central e contínuo, iniciando nas escolas e estendendo-se pela vida acadêmica.
A educação, neste contexto, transcende a mera transmissão de conteúdo acadêmico, focando na formação de cidadãos conscientes de seus direitos e deveres, que respeitem limites e construam relações baseadas na igualdade. Programas de reeducação para agressores são importantes, mas não suficientes para uma solução estrutural.
É fundamental investir em educação contínua e ações de conscientização que fortaleçam as vítimas e incentivem a denúncia. A informação empodera as mulheres, encorajando-as a quebrar a cultura do silêncio e contribuindo para a desconstrução de padrões opressores. O combate à violência não é apenas responsabilidade do sistema penal, mas um compromisso socioeducacional coletivo de toda a sociedade.
Em caso de violência contra a mulher, as denúncias podem ser feitas pelos telefones 190 ou 180.
