O então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou em um sábado (7) que os EUA “não permitirão influência estrangeira” nas Américas, incluindo o Canal do Panamá. Esta afirmação, parte de sua nova doutrina, foi feita durante um discurso em uma cúpula de líderes latino-americanos em Doral, Flórida, na presença do presidente panamenho, José Raúl Mulino. Trump citou situações em países como Venezuela e Cuba, reiterando a proibição de potências estrangeiras hostis se estabelecerem no hemisfério.
Em sua fala, Trump expressou admiração pelo Canal do Panamá, descrevendo sua aquisição pelo país como o “melhor negócio da história” e comentou sobre o valor simbólico de um dólar. A participação do presidente panamenho, Mulino, na cúpula ocorreu em um período de tensão nas relações do Panamá com a China e os Estados Unidos.
Recentemente, a Suprema Corte do Panamá confirmou a anulação de um contrato de 28 anos com a Panama Ports Company, que operava dois portos em extremidades do Canal e possuía significativo capital chinês. Pequim reagiu afirmando que o governo panamenho enfrentaria “alto preço político e econômico” caso não reverta a decisão. Os interesses da China nesta rota marítima estratégica, por onde transita aproximadamente 40% do tráfego de contêineres dos EUA anualmente, são centrais na intenção de Trump de afastar potências rivais da região. Anteriormente, Trump e sua administração apontaram a suposta intenção chinesa de maior controle sobre o Canal, chegando a ameaçar retomar o controle da hidrovia interoceânica.
