As prefeituras das principais cidades da Bahia, em colaboração com a União dos Municípios da Bahia (UPB) e órgãos de controle, estabeleceram um limite de R$ 700 mil para o cachê de artistas nos festejos de São João de 2026. A medida, discutida em fevereiro, visa controlar o aumento dos gastos públicos e promover maior transparência nas contratações de atrações musicais.
Essa diretriz pode impactar artistas que usualmente cobram valores acima desse teto, como Gusttavo Lima, Wesley Safadão, Jorge & Mateus, Simone Mendes, Maiara & Maraísa, Bruno & Marrone, Nattan e Ana Castela, cujos cachês podem ultrapassar R$ 1 milhão. Em contraste, nomes populares no circuito nordestino, como João Gomes, Mari Fernandez e Xand Avião, cujos cachês geralmente variam entre R$ 400 mil e R$ 700 mil, estão dentro da faixa permitida. Essas informações são públicas no Painel de Transparência dos Festejos Juninos nos Municípios do Estado da Bahia.
Fundamentação e Abrangência
O limite foi definido por consenso dos prefeitos após análise de dados do Ministério Público da Bahia (MPBA), que revelou que apenas 1% dos cachês pagos em 2025 superaram R$ 700 mil. A intenção é manter os patamares de gastos de 2025. Além do teto individual, o acordo prevê que o orçamento total das prefeituras para o São João de 2026 não deverá ultrapassar o valor despendido em 2025, corrigido pela inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O controle de gastos se estende a todos os custos do evento, incluindo logística, estrutura, transporte e hospedagem.
As normas foram formuladas com base em uma nota técnica conjunta do MPBA, Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) e Tribunal de Contas do Estado (TCE). A atuação desses órgãos será primordialmente orientativa, oferecendo segurança jurídica aos gestores que seguirem as diretrizes.
Alternativas e Impulso Regional
O teto estabelecido aplica-se exclusivamente aos recursos públicos municipais. Patrocínios privados podem representar uma alternativa para a contratação de artistas com cachês acima do limite, visto que empresas podem financiar diretamente parte das atrações. Municípios com forte tradição junina e investimento privado, como Serrinha, Santo Antônio de Jesus, Cruz das Almas, Senhor do Bonfim e Jequié, podem explorar essa via.
Outro benefício esperado da medida é o incentivo à maior participação e valorização de artistas regionais nas programações dos festejos juninos, que já existe na Bahia.
