O sistema de governo do Irã é complexo, com uma base ideológica e a forte presença da Guarda Revolucionária Islâmica. Essa estrutura torna desafiadora a avaliação da resiliência ou vulnerabilidade do país frente a cenários externos, como os ataques militares considerados pelos Estados Unidos em resposta à repressão de protestos antigovernamentais.
O Líder Supremo e o Vilayat-e Faqih
O sistema político iraniano fundamenta-se na teoria do vilayat-e faqih, ou "governo do jurista", que estabelece que o poder terreno deve ser exercido por um clérigo supremo até o retorno do 12º Imã xiita. O aiatolá Ruhollah Khomeini, figura central da Revolução Islâmica de 1979, foi o primeiro Líder Supremo, estabelecendo o modelo de um clérigo acima de um governo eleito. Seu sucessor, o aiatolá Ali Khamenei, que assumiu em 1989, consolidou esse papel, detendo a palavra final em todas as decisões políticas cruciais e construindo um governo paralelo com aliados. Sua influência se manifesta frequentemente através do Conselho de Segurança Nacional, liderado por Ali Larijani, e por outros conselheiros como Ali Shamkhani e Ali Akbar Velayati. A sucessão de Khamenei, de 86 anos, não está definida, com nomes como seu filho Mojtaba Khamenei e Hassan Khomeini (neto do antecessor) sendo considerados, além de outros clérigos de alta patente.
A Teocracia e os Órgãos Clericais
O alto clero do Irã exerce controle significativo sobre o sistema político através de órgãos poderosos. A Assembleia de Peritos, composta por aiatolás eleitos a cada oito anos, é responsável por nomear, questionar e, teoricamente, destituir o Líder Supremo, embora esta última ação nunca tenha ocorrido. O Conselho dos Guardiães, metade nomeado pelo Líder e metade pelo chefe do judiciário, possui poder para vetar leis parlamentares e desqualificar candidatos eleitorais, frequentemente utilizado para barrar críticos de Khamenei. Já o Conselho de Discernimento, nomeado por Khamenei, arbitra disputas entre o parlamento e o Conselho dos Guardiães. O Irã segue interpretações xiitas da lei islâmica sharia, e os juízes são clérigos subordinados ao chefe do judiciário, nomeado por Khamenei. Clérigos como Sadiq Larijani (chefe do Conselho de Discernimento), Mohsen Araki (Assembleia de Peritos e Conselho de Discernimento) e Ahmad Khatami (líder da oração de sexta-feira em Teerã) possuem grande influência. É importante notar que nem todos os clérigos apoiam o sistema teocrático atual; alguns atuam como dissidentes, enquanto outros, como o ex-presidente Mohammed Khatami, tentaram reformas sem sucesso.
O Poder da Guarda Revolucionária Islâmica
O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) atua como um braço militar distinto das forças armadas convencionais, reportando-se diretamente ao Líder Supremo, não ao Ministério da Defesa. Fundada após a revolução de 1979, a IRGC expandiu seu papel na defesa do sistema islâmico durante a guerra Irã-Iraque (1980-1988), tornando-se o componente mais forte e bem equipado das forças armadas iranianas. Ao longo das décadas, a Guarda Revolucionária estendeu sua influência profundamente nos setores político e econômico, consolidando um poder considerável tanto dentro quanto fora do Irã.
