O policial militar Leandro Henrique Pereira foi condenado a 58 anos e quatro meses de prisão pelo Tribunal do Júri, por duplo homicídio qualificado e tentativa de homicídio duplamente qualificada. A decisão, proferida na madrugada desta quinta-feira (12), é passível de recurso. Os crimes ocorreram em novembro de 2022 durante um show sertanejo no Parque Unileste, em Piracicaba (SP), resultando na morte de Leonardo Victor Cardoso, de 25 anos, e Heloíse Magalhães Capatto, de 23 anos, e ferindo outras três pessoas de 20, 21 e 27 anos.
Camila Alves Cardoso, irmã de Leonardo Victor, expressou que a condenação representa o reconhecimento da verdade e traz honra e respeito à memória de seu irmão. Ela ressaltou que, para a família, a sentença não é motivo de felicidade, mas sim de tranquilidade, por saber que a verdade foi finalmente reconhecida.
A defesa de Leandro Henrique Pereira, representada pelo advogado Renato Soares, declarou à EPTV que pretende recorrer da decisão. Anteriormente ao júri, a defesa havia afirmado que comprovaria que o policial agiu em legítima defesa e que os disparos que atingiram outras vítimas não eram de sua autoria.
Desdobramentos do Júri
O julgamento do policial militar, que durou cerca de 20 horas, iniciou às 10h de quarta-feira (11) no Fórum de Piracicaba, após sete adiamentos. Durante a sessão, duas vítimas feridas pelos disparos e outras três testemunhas foram ouvidas. O réu, Leandro Henrique Pereira, foi interrogado por aproximadamente uma hora e meia. Após a fase de depoimentos, o julgamento prosseguiu com os debates entre defesa e acusação, que tiveram 1h30 para apresentar seus argumentos, culminando na divulgação da sentença.
Uma das três vítimas feridas não compareceu ao julgamento, e outras seis testemunhas foram dispensadas por ambas as partes. A sentença estabeleceu que todos os crimes foram cometidos com dolo eventual, caracterizado quando o réu, sem intenção direta de matar, assume o risco de causar as mortes. As qualificadoras para os três crimes foram perigo comum e o recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa das vítimas.
Dinâmica dos Disparos
Conforme a denúncia do Ministério Público, os disparos ocorreram após Leonardo, uma das vítimas fatais, intervir em uma briga envolvendo o PM, um amigo deste e uma terceira pessoa. A Divisão Especializada em Investigações Criminais (Deic) concluiu que o motivo dos tiros foi um desentendimento originado por um empurra-empurra no show. Em sua conclusão de investigação, a Deic solicitou a prisão preventiva do policial. Por ser integrante da Polícia Militar, o acusado possuía porte de arma em todo o território nacional.
Imagens divulgadas em redes sociais registraram o momento dos disparos e a subsequente confusão e correria no evento. Os vídeos mostram os artistas no palco e, em seguida, o som dos tiros, com uma pessoa exclamando 'É tiro, é tiro', antes de a imagem ser encerrada em meio ao caos.
